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Nanotecnologia: remédios que agem no foco das doenças

Nanotecnologia: remédios que agem no foco das doenças

Normalmente, as pessoas imaginam as células e os vírus como estruturas minúsculas, mas isso depende da perspectiva. Pela ótica da nanotecnologia, esses organismos são gigantescos – e isso proporciona infinitas possibilidades para a ciência e a medicina. Englobando as mais diversas técnicas, materiais e dispositivos que operam em escala nanométrica, a nanotecnologia é um ramo científico que manipula a matéria no nível atômico.

O nome pode parecer complicado, mas o conceito é simples. Um nanômetro (nm) equivale a um milímetro (mm) dividido um milhão de vezes. Para efeito de comparação, um único fio de cabelo tem entre 80 e 100 mil nanômetros.

Na indústria farmacêutica, a nanotecnologia pode ser utilizada para melhorar a eficácia dos medicamentos e reduzir os efeitos colaterais. De acordo com a professora Carlota de Oliveira Rangel Yagui, Coordenadora do Laboratório de Nanobiotecnologia da Faculdade de Ciências Farmacêuticas da Universidade de São Paulo (Nanobio), a nanotecnologia tem a vantagem de possibilitar ao medicamento agir diretamente nas células doentes. “O material em escala atômica apresenta características diferenciadas em relação ao material na escala macroscópica.

Uma delas é que o princípio ativo do medicamento é entregue diretamente nas células afetadas pela doença”, explica ela. Carlota prevê ainda que o mercado da nanomedicina deverá atingir US$ 528 bilhões em 2019, impulsionado pelo crescente desenvolvimento de quimioterápicos.

Grandes incertezas

Pesquisadora da Nanobio, Camila Areias, porém, ressalta que a nanotecnologia, embora seja muito promissora, ainda está em fase inicial e, por isso, permeada de dúvidas. “O perfil toxicológico dos materiais na nanoescala ainda é alvo de muitos estudos. Por essa razão, há grandes incertezas por parte das agências reguladoras”, afirma ela, observando também que, em 2013, a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (ANVISA) criou o Comitê Interno de Nanotecnologia (CIN) para implementar uma política nacional para esse campo e elaborar normas e guias específicos. Apesar disso, ainda não foi criada uma legislação específica para o tema.

Não bastasse a demora da principal agência reguladora do país, dados de 2012 indicam que o registro de nanomedicamentos no Brasil ainda é tímido, com apenas sete fármacos aprovados até aquele ano. “Esse panorama indica que o avanço da nanotecnologia nas próximas décadas depende de um esforço combinado entre as indústrias farmacêuticas, a academia e as agências regulatórias”, aponta Camila.

Uma nova aposta

A indústria farmacêutica Aché inaugurou em 2017 o Nanotechnology Innovation Laboratory Enterprise (NILE), o primeiro laboratório brasileiro privado focado em desenvolvimento de plataforma tecnológica baseada em nanotecnologia. Uma das metas do empreendimento consiste em contribuir para o desenvolvimento da ciência no Brasil e no mundo por meio de uma ampla rede pesquisadores conectada à iniciativa.

O Diretor de Desenvolvimento Farmacoquímico e Analítico do Aché, Miller de Freitas, adianta que um dos objetivos iniciais do NILE consiste em aumentar a biodisponibilidade das drogas no organismo. “Com isso, é possível melhorar a absorção das moléculas pelo corpo e reduzir a frequência do uso de medicamentos, alterar via de administração, aumentar a comodidade posológica e, consequentemente, impactar positivamente na aderência ao tratamento”, detalha.

Os pesquisadores do NILE também estudam maneiras de modular a forma como um princípio ativo se dissolve no organismo. “A liberação gradual das substâncias pode auxiliar no tratamento e estender o tempo de ação de determinado medicamento, reduzindo o número de ingestões por dia”, elucida Freitas, observando por fim que o laboratório se dedica ainda a encapsular moléculas para aumentar a estabilidade dos produtos em relação a temperatura, umidade e oxidação, garantindo qualidade por mais tempo.

Rafael Guedes


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